Saudações, amigos e estudantes!
Aqui estou, mais uma vez, para publicar um texto de apoio que preparei para meus estudantes de terceiros anos com o que foi discutido ao longo do segundo bimestre no que concerne à noção de Cidadania e o que implica tal conceito.
Trata-se de um apanhado histórico, cronológico, simplificado mas com informações mais fundamentais sobre o assunto.
Espero que esteja a tempo e que ajude, de fato, na compreensão de toda a discussão.
Abraços, meus car@s!
Profº Bruno Muniz.
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sábado, 27 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
Revolução Industrial - AOS PRIMEIROS ANOS
Revolução Industrial e suas consequências foi o tema trabalhado no 2º Bimestre, nas salas do primeiro ano.
Apesar dos alunos acharem um tema viciado (sempre acham), devido ao tema ser trabalhado em outros anos e em outras disciplinas, o assunto se faz necessário à Sociologia.
Isto não só pelo fato de suas transformações que adentram até o presente momento, mas principalmente pela sua influência para o surgimento desta ciência, que é a Sociologia.
Esta revolução, ao trazer os avanços e benefícios tecnológicos, nos deixou de "brinde" consequências catastróficas, no que se refere ao lado humano e social.
No fator econômico, a revolução industrial só aumentou as desigualdades de renda e acesso a bens e infraestrutura entre burgueses e operários, acirrando ainda mais os conflitos de classes e a exploração do homem pelo homem. Surge assim, o capitalismo.
Por consequência dela também, vimos a população mundial se expandir em velocidade desenfreada, no qual grandes contingentes populacionais migravam do campo à cidade, em busca de suprir suas necessidades de sobrevivencia.
Em âmbito político, presenciamos a ascensão burguesa que, não contente em já deter o poder e domínio econômico, requesita para si também o domínio político, destituindo nobres, clerigos e reis do posto.
Chegamos ao ponto, hoje, de constatar multinacionais ditando as regras de boa conduta e política (frouxa) para os governantes de cada nação.
Sua inflência não se fez sentir só nos mais abastados financeiramente, como acarretou na organização da classe operária, movendo essa a construir partidos, sindicatos e movimentos em defesa de seus ideais e valores.
Todo esse jogo de transformações para as relações humanas trouxeram novas preocupações, como também novas exigências e, para que essas fossem entendidas, vários pensadores se empenharam em estudos e teorias, abarcando essas temáticas conflituosas.
Pensadores como os Socialistas utópicos e, mais tarde, Augusto Comte, foram os responsáveis por formular as teorias que mais afrente seriam denominadas Sociologia.
Portanto, a Sociologia tem seu nascimento datado a partir dos desafios impostos pela sociedade moderna e a vontade do homem em entender questões antes nunca vivenciadas.
Finalizo meu post, como sempre, com o link dos textos trabalhados em sala.
Revolução industrial
(Texto estraído da página do Uol Educação)
Mudanças tecnológicas e transfiguração do cotidiano: tempos modernos
(Texto extraído do livro “Corrida para o século XXI. No loop da montanha-russa”, de Nicolau Sevcenko)
Apesar dos alunos acharem um tema viciado (sempre acham), devido ao tema ser trabalhado em outros anos e em outras disciplinas, o assunto se faz necessário à Sociologia.
Isto não só pelo fato de suas transformações que adentram até o presente momento, mas principalmente pela sua influência para o surgimento desta ciência, que é a Sociologia.
Esta revolução, ao trazer os avanços e benefícios tecnológicos, nos deixou de "brinde" consequências catastróficas, no que se refere ao lado humano e social.
No fator econômico, a revolução industrial só aumentou as desigualdades de renda e acesso a bens e infraestrutura entre burgueses e operários, acirrando ainda mais os conflitos de classes e a exploração do homem pelo homem. Surge assim, o capitalismo.
Por consequência dela também, vimos a população mundial se expandir em velocidade desenfreada, no qual grandes contingentes populacionais migravam do campo à cidade, em busca de suprir suas necessidades de sobrevivencia.
Em âmbito político, presenciamos a ascensão burguesa que, não contente em já deter o poder e domínio econômico, requesita para si também o domínio político, destituindo nobres, clerigos e reis do posto.
Chegamos ao ponto, hoje, de constatar multinacionais ditando as regras de boa conduta e política (frouxa) para os governantes de cada nação.
Sua inflência não se fez sentir só nos mais abastados financeiramente, como acarretou na organização da classe operária, movendo essa a construir partidos, sindicatos e movimentos em defesa de seus ideais e valores.
Todo esse jogo de transformações para as relações humanas trouxeram novas preocupações, como também novas exigências e, para que essas fossem entendidas, vários pensadores se empenharam em estudos e teorias, abarcando essas temáticas conflituosas.
Pensadores como os Socialistas utópicos e, mais tarde, Augusto Comte, foram os responsáveis por formular as teorias que mais afrente seriam denominadas Sociologia.
Portanto, a Sociologia tem seu nascimento datado a partir dos desafios impostos pela sociedade moderna e a vontade do homem em entender questões antes nunca vivenciadas.
Finalizo meu post, como sempre, com o link dos textos trabalhados em sala.
Revolução industrial
(Texto estraído da página do Uol Educação)
Mudanças tecnológicas e transfiguração do cotidiano: tempos modernos
(Texto extraído do livro “Corrida para o século XXI. No loop da montanha-russa”, de Nicolau Sevcenko)
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Texto - Linchamento
Utilizando-se de uma atividade que deu certo em algumas salas de primeiro ano do ensino médio, foi desenvolvida a leitura e discussão sobre a entrevista do sociólogo José de Souza Martins, que versava sobre "linchamento".
Tal atividade teve a intenção de evidenciar a analise sociológica sobre um fato social que, em nossos dias, tem sido encarado como "normal".
Sendo assim, a abordagem que se fez em cada turma girou em torno da questão (já trabalhada em outras aulas) da persepção do senso comum diante de uma análise mais aprofundada, específica da disciplina sociológica.
Diante disto, foi proposto a realização de uma atividade rápida e, para a conclusão da mesma, deixo o link da entrevista na íntegra.
Tal atividade teve a intenção de evidenciar a analise sociológica sobre um fato social que, em nossos dias, tem sido encarado como "normal".
Sendo assim, a abordagem que se fez em cada turma girou em torno da questão (já trabalhada em outras aulas) da persepção do senso comum diante de uma análise mais aprofundada, específica da disciplina sociológica.
Diante disto, foi proposto a realização de uma atividade rápida e, para a conclusão da mesma, deixo o link da entrevista na íntegra.
http://www.estado.com.br/suplementos/ali/2008/02/17/ali-1.93.19.20080217.7.1.xml
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Sociologia no Ensino Médio,
Violência urbana
domingo, 10 de maio de 2009
Fim do Primeiro Bimestre
E chega ao fim a primeira etapa...
Foram aproximadamente 10 aulas (de cinquenta minutos cada), no qual a Sociologia tentou adentrar o universo de aprendizado dos educandos, mostrando sua especificidade de olhar a realidade.
Minutos escassos, é verdade, mesmo assim acredito que, no geral, a disciplina causou o estranhamento necessário entre os alunos, para que os mesmos começassem a desempenhar a visão crítica sobre os assuntos estudados.
Contudo, venho expor nesse post, um ponto preocupante analisado nesse primeiro bimestre.
Me refiro a questão da escrita de cada aluno, tanto no que se refere ao português formal (pontuação, concordância, ortografia correta, etc.), quanto à estrutura coerente de um texto dissertativo.
Afirmo isso após a correção dos trabalhos e provas dessa primeira etapa, no qual pude constatar muita dificuldade dos alunos (de ensino médio) em expressar suas ideias, através de uma escrita clara e bem estruturada.
Creio que essas dificuldades estão muito relacionadas ao vício de escrita rápida e descuidada da internet (Orkut, MSN e afins).
Como já discutido em algumas salas, deixo aqui alguns links referentes a essas dificuldades, para que os alunos possam se orientar quando houver alguma atividade escrita.
Vírgula. Quando usar, ou não
http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1706u21.jhtm
Dissertação. Como escrever esse tipo de redação
http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1706u53.jhtm
Foram aproximadamente 10 aulas (de cinquenta minutos cada), no qual a Sociologia tentou adentrar o universo de aprendizado dos educandos, mostrando sua especificidade de olhar a realidade.
Minutos escassos, é verdade, mesmo assim acredito que, no geral, a disciplina causou o estranhamento necessário entre os alunos, para que os mesmos começassem a desempenhar a visão crítica sobre os assuntos estudados.
Contudo, venho expor nesse post, um ponto preocupante analisado nesse primeiro bimestre.
Me refiro a questão da escrita de cada aluno, tanto no que se refere ao português formal (pontuação, concordância, ortografia correta, etc.), quanto à estrutura coerente de um texto dissertativo.
Afirmo isso após a correção dos trabalhos e provas dessa primeira etapa, no qual pude constatar muita dificuldade dos alunos (de ensino médio) em expressar suas ideias, através de uma escrita clara e bem estruturada.
Creio que essas dificuldades estão muito relacionadas ao vício de escrita rápida e descuidada da internet (Orkut, MSN e afins).
Como já discutido em algumas salas, deixo aqui alguns links referentes a essas dificuldades, para que os alunos possam se orientar quando houver alguma atividade escrita.
Vírgula. Quando usar, ou não
http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1706u21.jhtm
Dissertação. Como escrever esse tipo de redação
http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1706u53.jhtm
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Vírgula
domingo, 12 de abril de 2009
CIDADANIA - 3º ANO
Nas últimas semanas foi proposto aos terceiros anos a reflexão sobre Cidadania, tema central que compõe o caderno de sociologia do aluno (Currículo do Estado de São Paulo).
Ao introduzir tal tema, busquei não estacionar apenas na noção (já viciada) de "direitos e deveres", explorando mais a característica mutável desta categoria, visto que os preceitos da cidadania que conhecemos hoje nem sempre existiram e foram assegurados em outras épocas, em outras sociedades.
Contudo, a partir da noção de direitos civis, políticos, sociais e humanos, começamos a desenvolver uma reflexão inicial sobre CIDADANIA E CAPITALISMO.
Pensar em cidadania no sistema econômico/cultural capitalista é considerar a existência das desigualdades sociais como base estruturadora da sociedade, sendo que este modo de produção visa a exploração do homem pelo homem e, portanto, prevê que uns serão mais favorecidos que outros (favorecidos no que se refere ao acesso a bens e infra-estrutura necessárias à vida). Diante disto, como garantir que todos desfrutem plenamente destes direitos conquistados e "assegurados" em nossa época?
Para tanto, foi apresentado o curta "Ilha das Flores", documentário de 1989, que apesar de ter sido produzido a 20 anos atrás, ainda se mostra muito atual em suas discussões e reflexões sobre as desigualdades sociais brasileiras.
Finalizando este post, deixo aqui o vídeo para quem quiser rever ou, no caso dos que não viram, também terem a chance de tal reflexão.
ILHA DAS FLORES
Ao introduzir tal tema, busquei não estacionar apenas na noção (já viciada) de "direitos e deveres", explorando mais a característica mutável desta categoria, visto que os preceitos da cidadania que conhecemos hoje nem sempre existiram e foram assegurados em outras épocas, em outras sociedades.
Contudo, a partir da noção de direitos civis, políticos, sociais e humanos, começamos a desenvolver uma reflexão inicial sobre CIDADANIA E CAPITALISMO.
Pensar em cidadania no sistema econômico/cultural capitalista é considerar a existência das desigualdades sociais como base estruturadora da sociedade, sendo que este modo de produção visa a exploração do homem pelo homem e, portanto, prevê que uns serão mais favorecidos que outros (favorecidos no que se refere ao acesso a bens e infra-estrutura necessárias à vida). Diante disto, como garantir que todos desfrutem plenamente destes direitos conquistados e "assegurados" em nossa época?
Para tanto, foi apresentado o curta "Ilha das Flores", documentário de 1989, que apesar de ter sido produzido a 20 anos atrás, ainda se mostra muito atual em suas discussões e reflexões sobre as desigualdades sociais brasileiras.
Finalizando este post, deixo aqui o vídeo para quem quiser rever ou, no caso dos que não viram, também terem a chance de tal reflexão.
ILHA DAS FLORES
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Problematizando a História
Com o intuito de preparar o terreno para introduzir os temas específicos de cada ano (definidos pelo Estado) na disciplina de Sociologia, aproveitei a data de hoje, 1º de Abril, para trazer aos alunos um histórico sobre a Ditadura Militar no Brasil, já que hoje são 45 anos completos desde o Golpe de 64.
Objetivos específicos a trabalhar posteriormente:
1ºs anos - "Ser-social" e as "Diferenças sociais";
2ºs anos - "Diversidade social";
3ºs anos - "Cidadania" e "Liberdades".
Abaixo, um texto de apoio, breve histórico do que significou o período e seus antecedentes.
Atenciosamente,
Profº Bruno M.
---
45 anos de mentira
(por Bruno Muniz)
No "dia da mentira" de 1964, 1º de Abril, o Brasil vivia uma enorme transformação em sua realidade. Após um histórico nacional que trazia uma crise política de instabilidades, em meio a um contexto internacional de Guerra Fria do pós-Segunda Guerra, a sociedade brasileira amanheceu mais pálida, surpreendida, diferentemente confusa.
Após a renúncia de Jânio Quadros da presidência do Brasil, João Goulart, seu vice, assumiu o cargo, porém sua proximidade e abertura às aspirações populares não era bem vista pelas classes dominantes. Jango (João Goulart) era tido como "simpático ao comunismo", obtendo uma fama que nada fez bem a suas pretensões. Adepto de causas populares, dentre as quais, reforma agrária e econômica, Jango ganhou popularidade e fez inimigos.
O ambiente sócio-político mundial em que esta realidade política brasileira estava inserida era um ambiente de hostilidade e medo, pois ao término da Segunda Guerra Mundial, o mundo dividiu-se entre o "capitalismo" e o "vermelho" (o socialismo estatal). De um lado, o lado ocidental, os EUA possuiam a partir de então, a soberania no mundo capitalista. Do outro, ao lado oriental do globo, a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, onde hoje localiza-se a Rússia e outros países do leste europeu e parte da Ásia) era a grande potência política e econômica. A sensação de que a qualquer momento um lado decretaria e, de fato, entraria em conflito com o outro era iminente. Esta insegurança trouxe consigo um medo sobre a expansão, no ocidente, do socialismo soviético, que pareceu justificar-se principalmente no ano de 1959, quando Fidel Castro, ao lado de Che Guevara, Raul Castro, dentre outros, chegaram ao momento final da Revolução Cubana. Tal revolução, apesar de não declaradamente socialista, teve certo apoio (ao menos, a posteriore) dos países socialistas do Oriente. Cuba, como um país latino-americano, representou, então, a chegada das idéias esquerdistas ao "Novo Mundo".
Tais questões uniram-se, como se Jango pudesse, então, ser a possibilidade de um Brasil socialista. Após discurso de Jango em defesa de suas idéias para a transformação da sociedade brasileira, os ânimos se acirraram, e as camadas conservadoras não viram tais idéias com bons olhos. Dias depois, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade é feita, uma marcha que reuniu milhares de pessoas no centro de São Paulo em defesa da moral, da família e da propriedade.
Em 31 de março, tropas militares às ruas, o clima não era mais de mera divergência de opiniões, mas sim, instaurava-se um clima de guerra, de choque entre forças adeptas às idéias de transformação da sociedade brasileira e de idéias de conservação da ordem estabelecida. O que levou às classes dominantes apoiarem (também por medo de um suposto "caos iminente") o que foi conhecido como o Golpe Militar de 64. Não mais uma possibilidade, uma realidade. O temido golpe de Jango, que transformaria o Brasil em país socialista foi dado, mas por outros e com outros fins. Jango, a fim de diminuir as tensões sociais e políticas, de amenizar a sensação de insegurança nacional, decide exilar-se no Uruguai, abrindo caminho, de vez, aos militares.
Em abril, mais precisamente dia 1º de Abril de 1964, o Brasil acordou sob o controle das forças militares, num período que durou até 1985, marcado pela repressão às idéias opositoras, pela perseguição aos "indesejados" (comunistas, socialistas, anarquistas, artistas, homossexuais, estudantes e professores, dentre outros) que de alguma maneira se mostrassem insatisfeitos com aquela realidade, além de outras ações, como exílio forçado, e etc. Um momento histórico que representa mais de 4% de nossa história [1]. Fase em que desaparecimentos, raptos, mortes e o medo eram rotina para o brasileiro.
O "dia da mentira" nunca pareceu tão assustador e confuso antes de 1964.
[1] - Os 4% a que me refiro são os 20 anos de Ditadura Militar com relação aos 509 anos de Brasil, baseando-me na "idade oficial" de nosso país.
---
OBSERVAÇÃO
O texto acima não pretende-se como verdade única e absoluta sobre o tema.
Objetivos específicos a trabalhar posteriormente:
1ºs anos - "Ser-social" e as "Diferenças sociais";
2ºs anos - "Diversidade social";
3ºs anos - "Cidadania" e "Liberdades".
Abaixo, um texto de apoio, breve histórico do que significou o período e seus antecedentes.
Atenciosamente,
Profº Bruno M.
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45 anos de mentira
(por Bruno Muniz)
No "dia da mentira" de 1964, 1º de Abril, o Brasil vivia uma enorme transformação em sua realidade. Após um histórico nacional que trazia uma crise política de instabilidades, em meio a um contexto internacional de Guerra Fria do pós-Segunda Guerra, a sociedade brasileira amanheceu mais pálida, surpreendida, diferentemente confusa.
Após a renúncia de Jânio Quadros da presidência do Brasil, João Goulart, seu vice, assumiu o cargo, porém sua proximidade e abertura às aspirações populares não era bem vista pelas classes dominantes. Jango (João Goulart) era tido como "simpático ao comunismo", obtendo uma fama que nada fez bem a suas pretensões. Adepto de causas populares, dentre as quais, reforma agrária e econômica, Jango ganhou popularidade e fez inimigos.
O ambiente sócio-político mundial em que esta realidade política brasileira estava inserida era um ambiente de hostilidade e medo, pois ao término da Segunda Guerra Mundial, o mundo dividiu-se entre o "capitalismo" e o "vermelho" (o socialismo estatal). De um lado, o lado ocidental, os EUA possuiam a partir de então, a soberania no mundo capitalista. Do outro, ao lado oriental do globo, a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, onde hoje localiza-se a Rússia e outros países do leste europeu e parte da Ásia) era a grande potência política e econômica. A sensação de que a qualquer momento um lado decretaria e, de fato, entraria em conflito com o outro era iminente. Esta insegurança trouxe consigo um medo sobre a expansão, no ocidente, do socialismo soviético, que pareceu justificar-se principalmente no ano de 1959, quando Fidel Castro, ao lado de Che Guevara, Raul Castro, dentre outros, chegaram ao momento final da Revolução Cubana. Tal revolução, apesar de não declaradamente socialista, teve certo apoio (ao menos, a posteriore) dos países socialistas do Oriente. Cuba, como um país latino-americano, representou, então, a chegada das idéias esquerdistas ao "Novo Mundo".
Tais questões uniram-se, como se Jango pudesse, então, ser a possibilidade de um Brasil socialista. Após discurso de Jango em defesa de suas idéias para a transformação da sociedade brasileira, os ânimos se acirraram, e as camadas conservadoras não viram tais idéias com bons olhos. Dias depois, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade é feita, uma marcha que reuniu milhares de pessoas no centro de São Paulo em defesa da moral, da família e da propriedade.
Em 31 de março, tropas militares às ruas, o clima não era mais de mera divergência de opiniões, mas sim, instaurava-se um clima de guerra, de choque entre forças adeptas às idéias de transformação da sociedade brasileira e de idéias de conservação da ordem estabelecida. O que levou às classes dominantes apoiarem (também por medo de um suposto "caos iminente") o que foi conhecido como o Golpe Militar de 64. Não mais uma possibilidade, uma realidade. O temido golpe de Jango, que transformaria o Brasil em país socialista foi dado, mas por outros e com outros fins. Jango, a fim de diminuir as tensões sociais e políticas, de amenizar a sensação de insegurança nacional, decide exilar-se no Uruguai, abrindo caminho, de vez, aos militares.
Em abril, mais precisamente dia 1º de Abril de 1964, o Brasil acordou sob o controle das forças militares, num período que durou até 1985, marcado pela repressão às idéias opositoras, pela perseguição aos "indesejados" (comunistas, socialistas, anarquistas, artistas, homossexuais, estudantes e professores, dentre outros) que de alguma maneira se mostrassem insatisfeitos com aquela realidade, além de outras ações, como exílio forçado, e etc. Um momento histórico que representa mais de 4% de nossa história [1]. Fase em que desaparecimentos, raptos, mortes e o medo eram rotina para o brasileiro.
O "dia da mentira" nunca pareceu tão assustador e confuso antes de 1964.
[1] - Os 4% a que me refiro são os 20 anos de Ditadura Militar com relação aos 509 anos de Brasil, baseando-me na "idade oficial" de nosso país.
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OBSERVAÇÃO
O texto acima não pretende-se como verdade única e absoluta sobre o tema.
Crise na educação - Parte II
Boa noite!
Para aqueles que estão utilizando este espaço como forma de ampliar os conhecimentos na área de sociologia e, consequentemente, aumentando ainda mais o escasso tempo de 50 minutos semanais desta aula no ensino médio, aqui vai uma indicação...
"Entre os muros da escola" (Entre les Murs - título original)
Indico este filme (francês) como complementação às discussões realizadas sobre a crise educacional brasileira.
A trama desse longa metragem é montada quase que inteiramente dentro de uma sala de aula, num colégio da periferia francesa, e aborda principalmente os conflitos (corriqueiros) entre professores e alunos.
Apesar da "película" ter origem européia, não é muito difícil se identificar com os problemas educacionais apresentados por lá, tornando-se assim, um bom exercício de auto-reflexão sobre nossas condutas e posturas dentro da sala de aula.
Enfim, eu assisti, e confesso que me senti na pele, tanto do ator protagonista (o professor), quanto dos alunos que fazem parte daquela escola.
Abaixo deixo a sinopse do filme, um trailer e os cinemas em que o fime está em cartaz.
Sinopse
François e seus colegas professores preparam o novo ano letivo em uma difícil escola da periferia parisiense. Munidos das melhores intenções, eles se apoiam mutuamente para manter vivo o estímulo de dar a melhor educação a seus alunos. A sala de aula, um microcosmo da França contemporânea, testemunha os choques entre as diferentes culturas. E por mais inspiradores e divertidos que sejam os adolescentes, seu difícil comportamento pode acabar com qualquer entusiasmo de professores mal pagos.
Trailer
Em cartaz nos seguintes cinemas:
Para aqueles que estão utilizando este espaço como forma de ampliar os conhecimentos na área de sociologia e, consequentemente, aumentando ainda mais o escasso tempo de 50 minutos semanais desta aula no ensino médio, aqui vai uma indicação...
"Entre os muros da escola" (Entre les Murs - título original)
Indico este filme (francês) como complementação às discussões realizadas sobre a crise educacional brasileira.
A trama desse longa metragem é montada quase que inteiramente dentro de uma sala de aula, num colégio da periferia francesa, e aborda principalmente os conflitos (corriqueiros) entre professores e alunos.
Apesar da "película" ter origem européia, não é muito difícil se identificar com os problemas educacionais apresentados por lá, tornando-se assim, um bom exercício de auto-reflexão sobre nossas condutas e posturas dentro da sala de aula.
Enfim, eu assisti, e confesso que me senti na pele, tanto do ator protagonista (o professor), quanto dos alunos que fazem parte daquela escola.
Abaixo deixo a sinopse do filme, um trailer e os cinemas em que o fime está em cartaz.
Sinopse
François e seus colegas professores preparam o novo ano letivo em uma difícil escola da periferia parisiense. Munidos das melhores intenções, eles se apoiam mutuamente para manter vivo o estímulo de dar a melhor educação a seus alunos. A sala de aula, um microcosmo da França contemporânea, testemunha os choques entre as diferentes culturas. E por mais inspiradores e divertidos que sejam os adolescentes, seu difícil comportamento pode acabar com qualquer entusiasmo de professores mal pagos.
Trailer
Em cartaz nos seguintes cinemas:
- Unibanco Arteplex Frei Caneca (Sala 7): 14h - 19h - 21h30 - 24h*
*Apenas dia 28/03 (sábado). ENDEREÇO: Rua Frei Caneca, 569, 3º piso, - Cerqueira César - Espaço Unibanco Pompéia (Sala 7) : 16h20 - 21h10 -24h*
*Apenas dia 28/03 (sábado). ENDEREÇO: RUA TURIASSU, 2100 – PAVIMENTO 3 - POMPÉIA - SÃO PAULO – SP - Espaço Unibanco Augusta (Sala 2): 14h* - 16h30 - 19h - 21h30**. ENDEREÇO: Rua Augusta, 1.470/1475 Cerqueira César
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