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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Quer dizer que a culpa é só minha?

Opaa!
como vão todos?

Vou confessar que não fiquei triste com as férias prolongadas, apesar de desconfiar da eficiência e necessidade de tal adiamento para o dito "controle da disseminação do influenza A".
Mas enfim, não é por esse assunto que retomo as postagens do blog.

Me "aquecendo" pro retorno às salas de aula, em um dos meus estudos rotineiros, me deparei com uma matéria jornalística sobre as mazelas do ensino brasileiro.
A matéria fazia um comparativo do sistema de ensino de três paises: Brasil, Cuba e Chile.
Numa leitura rápida, o parecer que ela dá sobre nosso sistema não fugiu muito do que ecoa pelos debates da área: o Brasil sofre por ter enormes redes de ensino e por essas redes terem váriados currículos, o que gera desníveis educacionais de uma região para outra, sem contar é claro, com a falta de estrutura geral que os profissionais se deparam ao ingressar no sistema.

Porém, o que me chamou a atenção é que, ao comparar nosso sistema de ensino com o modelo cubano, a matéria termina por nomear grande parte da culpa dos erros brasileiros ao professor e sua precaria formação.
Segundo o pesquisador Martin Carnoy, autor do estudo comparativo, Cuba forma melhor os seus alunos porque seus professores "têm mais domínio da disciplina e têm uma clara ideia de como ensiná-la".

Salvo as claras comparações das dimensões organizacionais de cada país, e as referências que o artigo faz de outros pontos determinantes, como o envolvimento de várias outras instituições sociais que também dividem a responsabilidade da formação educacional dos jovens (Estado, família, escola...), o que se percebe no geral é que a matéria, e aquele que a transmite, tem clara intenção de deteriorar mais ainda a figura do professor.

Logo no início da mesma, em sua manchete, já nos deparamos com tal agressão: "Alunos cubanos são melhores que os brasileiros porque seus professores sabem mais, diz pesquisador dos EUA".
Bom, se o pesquisador aponta várias esferas responsáveis para essa superioridade do sistema cubano, no decorrer da notícia, a pergunta que se faz é: por que uma manchete indicando apenas uma esfera comparativa? e por que essa "culpa" recai de forma mais ferrenha aos professores?

Não é de hoje que nós professores somos atacados enquanto classe profissional e "pagamos o pato" pela falência do ensino brasileiro.
Ataques esses proferidos pela mídia, por propagandas, por políticas educacionais desconectas com a realidade, que ajudam a formar uma opinião pública rasteira e superficial, não levando em conta, como já dito, as raízes do problema.

Estou atuando dentro dessa classe profissional e sei sim que ela deve ser responsabilizada em diversos erros, mas lhe atribuir tal fardo, única e exclusivamente, como vemos nessas ofensivas, traz consequências desastrosas para o andamento de toda e qualquer atitude de mudança pretendida.

Bom, vou largar o mega fone agora e descer do palanque...
Fica por parte de vocês, seguidores do blog e aqueles que vivenciam a realidade, continuarem tal reflexão...




Deixo abaixo o link da notícia e de um vídeo contrapondo a visão simplista e sensacionalista da matéria...



NOTÍCIA
http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/08/10/ult105u8522.jhtm



VÍDEO -Socióloga analisa situação dos professores temporários




PS¹.: O vídeo discute a realidade do sistema paulista de ensino, porém tal ponto de vista pode servir de reflexão para outras realidades de sistemas educacionais, pois problematiza e ressalta diversos fatores de ambito nacional.

PS².: Tanto o vídeo, quanto a notícia foram extraídos do Site Universo On-line - UOL (engraçado né... bate! depois assopra, ou vice-versa)